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29.1.13

Simplicidade

Entra ano, sai ano e sempre procuramos mudar alguma coisa em nossas vidas. Um novo corte de cabelo, uma namorada nova, um sofá novo, ou até um time novo. Tudo bem que a última coisa que citei seja imperdoável, mas acontece.
Nasci e fui criado em Taubaté, cidade dos Bandeirantes e terra do eterno Monteiro Lobato. Amo a cidade, mas principalmente o time que leva o nome do município. Torço para o Burro da Central desde que aprendi a distinguir a faixa branca transversa no tronco dos jogadores, e confesso que nunca foi uma tarefa muito fácil por se tratar de um time do interior de São Paulo. O estado possui quatro grandes times que conquistam títulos frequentemente (um deles não anda tão frequente assim, mas não é assunto para esse momento), e existem percalços no meio dos nossos caminhos que nos fazem sucumbir a tentação desses gigantes do futebol.
No entanto, o Taubaté vai sempre estar ali de braços abertos para poder te receber. É no Joaquinzão, o curral do Burro, que eu me sinto em casa. É o lugar que eu sempre fui com o meu pai desde que era um rabisco de torcedor. É lá que eu me encontro com os meus amigos e xingo uma autoridade sem correr o risco de ser preso. Quer coisa melhor do que isso?
Todos os taubateanos estão "cansados" de saber da gloriosa trajetória do Burro da Central. Sabemos que em 1942, um menino chamado Hugo dos Santos (tão bom quanto o Pelé, diziam os ancestrais) deu ao Taubaté o seu terceiro título de campeão do Interior do Estado de São Paulo. Sabemos que em 1954 o Taubaté conquistou o Campeonato da Segunda Divisão do Estado de São Paulo com um esquadrão que, na edição seguinte, enterrou vários desses gigantes no campo do Bosque. Sabemos que um desses gigantes, o Santos Futebol Clube, pereceu diante do Taubaté, no dia 4 de outubro de 1958, com Pelé e tudo, pelo placar de 3x2. Sabemos que em 1979 o Taubaté conquistou a Divisão Intermediária do Campeonato Paulista (repare como o nome do Campeonato Paulista mudou ao longo do anos), no Parque Antártica, contra o arqui-inimigo São José, por 2x1. É muita coisa, meu amigo!
Porém, a sensação de não ser apenas mais um no meio da multidão é uma das melhores coisas que um time do interior pode lhe proporcionar. Claro, o futebol nem sempre é tão vistoso como aquele que você vê pela TV, mas te garanto: é muito bom sofrer pelo time da sua cidade!
Bom, no sábado, dia 26 de janeiro de 2013, marcou um novo ano para o Esporte Clube Taubaté. O Burrão está com um novo elenco, um novo presidente, uma "nova camisa velha" e uma nova esperança.
Porém, algumas coisas não mudaram. Eu e o meu pai continuamos indo ao Joaquinzão. Continuo xingando as autoridades sem ser preso (coitada da bandeirinha que tanto errou na partida). Continuo revendo os meus amigos lá. E o Taubaté continua vencendo sofrido como sempre fora de costume em sua vida.
Dessas novas esperanças, destaco o volante Serginho, que desempenhou um excelente papel no meio-campo taubateano realizando desarmes precisos e passes que iniciaram jogadas de ataque. Além da qualidade técnica do novo camisa 8, ressalto a presença de John Lennon, que resolveu ressuscitar e virar atacante do Taubaté. O ex-Beatle entrou no segundo tempo e pouco contribuiu com a equipe. Mesmo estando num ambiente chuvoso e úmido, tão parecido com a sua amada Liverpool, o jogador só chamou a atenção pelo nome. Além, claro, de revelar novos comediantes de Stand Up na geral do Joaquinzão.
Graças ao gol de falta do Nenê, eu não saí frustado do Joaquinzão no primeiro jogo do Taubaté no ano. Enquanto o Burro anotava a sua primeira vitória no Campeonato Paulista da Série A3, contra o Guaçuano, eu mantava as saudades de gritar a plenos pulmões um gol do Burro [ainda mais] aos 44 minutos do 2º tempo. São essas as coisas simples da vida aqui no interior que eu jamais abrirei mão. Vamos subir, Burro!!!

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